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“Nós temos a solução. Tod@s a ocupação” agosto 28, 2011

Posted by marijardimreis in Educação, Movimento Estudantil, Política.
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Por Lucas de Mello,

Diretor de Universidades Públicas da UNE, militante do Coletivo Nacional Levante!

      A palavra de ordem que marcou a ocupação da reitoria da UFF ecoa em todas as universidades do Brasil. Cada dia é uma nova ocupação de reitoria, indicativo de paralisação ou greve estudantil (UFSC, UFES, UFPR, UEM, UFF, etc..).

     É intensa também na juventude brasileira a inquietação que cresce no mundo. Mais do que apenas luta corporativa, as mobilizações estudantis estão colocando em questão um modelo político, econômico, cultural e social, que reproduz opressão e a exploração. Na universidade, sua estrutura funcional e projeto político pedagógico reproduzem e desenvolvem este modelo civilizacional.

        O governo readequa a universidade para que melhor se adapte ao desenvolvimento do capitalismo, que vive uma das maiores crises de sua história. O desmonte do caráter público, a transferência de recursos públicos para a iniciativa privada, a expansão sem recursos, formação aligeirada, aprofundam a insatisfação da comunidade acadêmica, em especial os estudantes, que vivem cotidianamente os problemas decorrentes desse processo.

        A juventude protagoniza os maiores enfrentamentos a essa ordem em todo o mundo. Grécia, Espanha, Chile e agora espalhado em todo o Brasil. Nas principais universidades do Brasil os estudantes saem às ruas. É o sopro de novos tempos.

            De nada adianta a simples reafirmação de pautas históricas, como vem sendo apontado pela União Nacional dos Estudantes com a defesa dos 10% do PIB pra educação, se a jornada de lutas da entidade não aponta a raiz do problema – o projeto de educação do governo – e articula pelo movimento o enfrentamento desse projeto. Foi na construção do movimento estudantil real nas universidades que amadureceram as condições para a radicalização. Desde a implementação forçada do Reuni nas Federais e os ataques nas Estaduais os DCEs, CAs e DAs vem acumulando forças nas pautas locais e preparando a avenida para esse novo momento.

         As inúmeras pautas e reivindicações pontuais, longe de setorizar as lutas, evidenciam as contradições desse modelo educacional e denunciam o desmantelamento dos serviços públicos no país. O projeto de expansão do Reuni que gerou as ocupações de reitorias em 2007 agora voltam a mobilizar os estudantes atordoados com as conseqüências da falta de verba.

        Em tramitação no Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação (2011-2020) transforma em projeto de estado, o projeto do governo pra educação, implementado desde o governo lula. Nos anos de aplicação do antigo PNE, a imensa maioria das metas não foram alcançadas. A proposta de 7% do PIB, aprovada pelo Congresso em 1997, volta a ser pautada como meta até 2020.

              10% do PIB pra Educação Pública Já!

         Desde Outubro de 2010, em Uberlândia, vem sendo chamada a construção de um Plebiscito Nacional de Educação. Hoje já somam dezenas de entidades do movimento estudantil, docente, de servidores técnico-administrativos, movimentos sociais e populares nessa construção.

        O plebiscito popular é apenas uma ferramenta e a expressão de sua votação se dará a partir do crescimento das mobilizações pelas universidades do país. Não podemos cair no erro de transformar a campanha por 10% do PIB em uma iniciativa pontual de contraposição do projeto do governo em tramitação no Congresso Nacional.

        O enraizamento da bandeira dos 10% se dará nas dezenas de ocupações de reitoria que vão surgir em todo o país, e seu crescimento na articulação nacional das mobilizações dos estudantes, servidores e professores.

            As primeiras ocupações começaram, E pra fazermos um amanhã maior é preciso avançar na nossa organização. Temos muitas tarefas:

  • Convocar assembléias massivas em todas as universidades
  • Articular-se com professores e servidores em greve construindo ocupações unitárias
  • Apontar a realização de um encontro nacional dos CAs, DAs e DCES de pública e ocupações de reitorias
  • Fortalecer o plebiscito nacional dos 10% do PIB pra educação com a construção dos comitês locais

Vamos construir a nossa primavera!


Chega de migalhas! junho 5, 2011

Posted by almeidalevante in Educação, Movimento Estudantil.
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Publicamos aqui o artigo do companheiro Henrique Maynardt, estudante do curso de Comunicação Social e membro do coletivo nacional Levante que expressa a luta da ocupação feita na reitoria da UFS. Um relato importante e que serve como exemplo do descaso do governo federal com um projeto de universidade socialmente referenciado e verdadeiramente democrático. Aos interessados, não deixem de visitar o blog da ocupação www.chegademigalhas.blogspot.com/ e vejam o vídeo que Henrique relata o sentido da ocupação abaixo…

 

 

 

Nossa vitória não será por acidente!

 

A ocupação da reitoria da UFS, a luta social e a lógica das migalhas.

 

Por Henrique Maynart*

Na última semana a população sergipana, ao menos parte significativa, tomou conhecimento através da imprensa que na tarde do dia 30 de Maio, os estudantes de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe decidiram ocupar o Gabinete do “Magnífico” Reitor da instituição, o professor Josué Modesto dos Passos Subrinho. Cansados de engolir os milhares de sapos, cobras e lagartos enviados há anos pela atual administração acadêmica, consolidados na ausência de respostas concretas para as deficiências estratosféricas presentes no curso, os estudantes ocupam as instalações da reitoria trazendo mensagem objetiva e singela: Chega de Migalhas!

 

Há até quem pense que miolo de pão velho e biscoito de água e sal podem ser considerados artigos de luxo nos corredores da UFS. O curso de Comunicação Social da universidade vem constituindo um verdadeiro beco dos horrores nos últimos anos. Vejamos: Um curso que apresenta um déficit de 16 professores e que conta com média de 500 estudantes, que não comporta uma estrutura de laboratório e equipamentos suficientes, tanto em número quanto em qualidade, onde a construção do Complexo de Comunicação Social não há sequer prazo para início, um curso que não dispõe de autonomia para gerir os seus laboratórios não é exatamente um “paraíso”. Para engrossar o caldo desta sopa de esgoto, a UFS comporta uma Rádio Universitária que funciona como correia de transmissão da Assessoria de Comunicação da Universidade. Para quem conhece o Campus Aloísio Campos, em São Cristóvão, fica claro que até a localização da rádio reflete o seu estado de aproximação atual com a comunidade acadêmica, ou seja, quase nenhuma. Para quem não transita de carro pela universidade, chegar ao estúdio da rádio é uma verdadeira “via crucis”, complementada aos caminhos de terra e a temperatura insuportável, dá preguiça até de pensar. Sabe aquele prédio que fica depois que o vento faz a curva? Pois bem, é lá!

 

Na programação de nossa surrada Rádio UFS 92.1 FM, o acesso à produção de conteúdo se resume a editais de poucos minutos (em uma rádio que tem 24 horas de programação) não há espaço para experimentação de produção dos estudantes, a participação popular e controle social. Isso sem falar no conselho administrativo da rádio, que é tão “democrático” e “equilibrado” que eu me recuso a cansar a pupila de quem for discorrendo sobre ele. Enfim, a Rádio UFS vem reproduzindo uma concepção de rádio, produção de conteúdo e da Comunicação em geral pautadas no mais do mesmo, do modelo comercial e excludente sob a hegemonia dos interesses da classe dominante.

 

“Apois”, cansados de todo este quadro brutal- descrito acima como um verdadeiro muro das lamentações da UFS- e cansados do calhamaço retórico-burocrático apresentado pela administração da universidade, os estudantes pegaram o colchão, a escova de dentes, a indignação e se mudaram para o Gabinete do “Magnífico” Reitor Josué, e de lá não arredam o pé até que se apresentem soluções concretas e imediatas para a UFS. O MPF foi provocado para mediar o conflito e esperamos criar soluções de natureza legal e jurídica para o imbróglio. Contamos com a adesão de estudantes de Educação Física, História, Geografia, Direito, Fisioterapia, dentre outros estudantes que constroem a ocupação dia-dia e ombro a ombro com os estudantes de comunicação social.

 

Para aqueles que duvidam da seriedade da ocupação, que acredita que ocupação é “coisa de vagabundo e desocupado”, nós estendemos o convite a todos os interessados em conhecer a nossa mobilização. Formamos comissões de estrutura, articulação, segurança e imprensa, limpamos a sala diariamente, respeitamos os demais servidores da UFS, construímos todas as ações de forma pacífica, planejamos e avaliamos nossas atividades madrugada a dentro  e mesmo assim estamos de pé às 6 da matina. Uma coisa eu adianto e garanto, estudante ocupado não é estudante parado!

 

 

Mas quer dizer então que apenas os estudantes de comunicação da UFS estão cansados de migalhas? Mas de jeito nenhum! Por mais que toda luta e resistência abarque características específicas, nós não podemos tratar o contexto da luta de classes como uma concha de retalhos. Negar um curso, uma universidade e uma vida de migalhas é tarefa fundamental, é tarefa pra ontem, e tem muita gente cansada de migalhas por aí! Para além do curso de Comunicação Social, toda a UFS está cansada das migalhas em todos os cursos e centros, fruto da política de expansão ausente de qualidade incrementada pelo REUNI, dos cortes aferidos pelo governo Dilma na pasta da educação para o orçamento de 2011. Cansados de migalhas, os servidores técnicos administrativos recusaram a MP 520, que pretende transformar os Hospitais Universitários em Fundações de Direito Privado, implementando a lógica privatista em um serviço público. Para além da universidade, os professores da rede estadual também cansaram de migalhas e cruzaram os braços, na luta pela revisão do piso do magistério e pela manutenção da carreira. Cansados de migalhas, os jornalistas e radialistas sergipanos iniciam sua caminhada pela valorização salarial e por melhores condições de trabalho. É na negação das migalhas que os trabalhadores do setor de telecomunicações estão em greve há mais de trinta dias na Oi, que os policiais civis iniciam a sua mobilização. Os moradores do Santa Maria também não agüentam mais as migalhas direcionadas para a Zona de Expansão, e organizaram uma ocupação em frente à prefeitura da capital.

 

Estamos todos no mesmo barco furado e não podemos naufragar em torno das migalhas da vida! Trabalhadores e estudantes precisam aglutinar um campo de luta e de resistência à política do pão seco e das velhas justificativas na educação, na saúde, na moradia popular, em todas as esferas de nossa sobrevivência. Seguimos ocupados na reitoria da UFS sem perder de vista os processos de luta em curso em Sergipe e no Brasil. A vitória de um será a vitória de todos, ela há de ser uma vitória concreta e alicerçada nos princípios da solidariedade e fraternidade. Uma vitória que não poderá chegar por acidente, por mais acidentados que estejam nossos caminhos!

 

Henrique Maynart é comunicador popular, estudante de Jornalismo, militante do Partido Socialismo e Liberdade e “ocupado” na reitoria da UFS.

 

 

Ato mobiliza centenas de estudantes e termina com repressão policial junho 3, 2011

Posted by almeidalevante in Movimento Estudantil.
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Os preços abusivos cobrados pelas empresas de transporte urbano tem causado protestos em todo o Brasil. Em Vitória, no Espírito Santo, estudantes lideraram uma passeata com mais de 800 presentes mostrando vitalidade do movimento local. O preço da tarifa do ônibus na cidade aumentou de R$ 2,15 para R$ 2,30 (um aumento injustificado de quase 10%), o que levou a revolta da população e em especial dos jovens e estudantes. O DCE-UFES se fez presente na atividade enquanto a UNE chegou a lançar uma nota contrária ao movimento, lamentavelmente. A reivindicação dos protestantes, além da redução do preço da tarifa, é a conquista do passe-livre para os estudantes.

A revolta foi mal vista pelas autoridades locais, e o protesto foi duramente reprimido pela PM, que prendeu 27 estudantes, além de dois menores. Representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) repudiaram a operação da polícia e estão engajados na defesa dos presos.

Abaixo está a nota do DCE repudiando a ação da polícia e em defesa da manifestaçã, inclusive convocando novo ato para hoje, às 17h.

NOTA DO DCE-UFES SOBRE O ATO CONTRA O AUMENTO DA PASSAGEM DE 2 DE JUNHO

O movimento contra o aumento da Passagem já dura 6 meses no Espírito Santo. Contra a exploração e pelo direito ao transporte pÚblico e de qualidade, estudantes e trabalhadores se manifestaram hoje pela manhã legitimamente no centro de Vitória. A manifestação foi reprimida violentamente pelo Batalhão de Missões Especiais, BME, e varias pessoas ficaram feridas.

Diante da não garantia do direito constitucional de se manifestar, mais estudantes da e cidadãos indignados se juntaram ao movimento a partir das 17h de hoje (02/06) em frente ao campus Goiabeiras da UFES para reivindicar a causa e também a liberdade de se manifestar.  Mais uma vez a polícia foi truculenta e covarde, atirando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes desarmados.

Os indignados resistiram e continuaram a manifestação indo em direção a terceira ponte, onde mais uma vez fomos atacados pelo BME. Ao tentar prosseguir a manifestação pela Avenida César Hilal fomos recebidos pela cavalaria e a Polícia Militar. Vários manifestantes foram presos quando em meio a confusão de quem tentava fugir da violência polícial.

O Governo do Estado tem agido de forma truculenta com todo tipo de manifestação de indignação e contestação do povo. O governador Casagrande trata os Movimentos Sociais como inimigos que precisam ser reprimidos. Lutar por direitos não é crime!

E o DCE da UFES vem através desta nota repudiar os acontecimentos de hoje e se posiciona  veemente contra a truculência e covardia da polícia e do governo Casagrande.  Contra a exploração do povo capixaba e contra todo tipo de violação dos direitos humanos. Convidamos todos os indignados a sair às ruas amanhã num grande ato contra o aumento da passagem e pelo direito de se manifestar. Vamos juntos criar um mundo novo!

Concentração do ato: dia 3 de junho, sexta feira, as 17h, no Teatro Universitário.

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